CEO da B4 debate mercado de carbono na Times Brasil CNBC
Odair Rodrigues apresenta perspectivas da primeira bolsa de ação climática do país em programa especializado em negócios.
Odair Rodrigues, CEO da B4, durante participação na Times Brasil CNBC, discutindo o futuro do mercado de créditos de carbono no Brasil. Foto: Reprodução Times Brasil - CNBC
O mercado de créditos de carbono brasileiro ganhou destaque na programação da Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC com a participação de Odair Rodrigues, fundador e CEO da B4, primeira bolsa de ação climática do país. Durante sua participação no canal especializado em negócios, o executivo apresentou as principais conquistas da plataforma e as perspectivas para o setor de transformação de ativos sustentáveis no Brasil.
A B4, que completou dois anos de operação em 2025, consolidou-se como referência no mercado nacional de ativos sustentáveis. Segundo dados apresentados por Rodrigues, a plataforma projeta movimentar R$ 1 bilhão em créditos de carbono, com 533 projetos submetidos de todas as regiões brasileiras. O rigoroso processo de aprovação da empresa, que aceita apenas 10% dos projetos apresentados, demonstra o compromisso com a transparência e qualidade dos ativos sustentáveis.
Durante a entrevista, o CEO destacou que a B4 não funciona apenas como uma plataforma de negociação, mas como uma ponte estratégica entre empresas que precisam compensar sua pegada de carbono e os originadores de créditos que desejam comercializar seus projetos. "Somos uma ponte para conectar as empresas que precisam compensar sua pegada de carbono a partir da compra com o originador do crédito que quer vender", explicou Rodrigues durante sua participação no programa.
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Um dos pontos centrais abordados na Times Brasil CNBC foi o uso da tecnologia blockchain pela B4. Rodrigues enfatizou como essa tecnologia revoluciona o mercado de carbono ao oferecer rastreabilidade completa dos títulos e eliminar problemas históricos como a dupla contagem de créditos. A plataforma utiliza esta tecnologia para garantir que cada ativo sustentável negociado tenha origem verificada e não seja comercializado mais de uma vez.
O executivo também apresentou o "Agente do Clima", ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela B4 que auxilia empresas na medição de sua pegada de carbono. Esta solução gera relatórios detalhados em até 24 horas, democratizando o acesso ao primeiro passo para projetos de ação climática. A ferramenta representa um avanço significativo na educação do mercado sobre sustentabilidade corporativa.
Cenário internacional e oportunidades brasileirasDurante sua participação no canal de negócios, Rodrigues destacou o impacto das políticas anti-clima nos Estados Unidos, que paradoxalmente aumentaram a procura por créditos de carbono genuínos na plataforma brasileira. "Percebemos que as companhias que estão engajadas mesmo com a agenda ESG estão verdadeiramente preocupadas e buscando informações sérias", comentou o CEO.
O Brasil se posiciona como protagonista global no mercado de carbono, especialmente com a aproximação da COP30 em Belém. Rodrigues enfatizou durante a entrevista que o país possui potencial para ser autossuficiente na geração de créditos de carbono, eliminando a necessidade de importação destes ativos sustentáveis. A biodiversidade brasileira, as vastas florestas e o potencial em energia renovável criam um cenário único para a liderança nacional neste mercado.
Projetos amazônicos em destaqueNa Times Brasil CNBC, o CEO apresentou exemplos concretos do potencial brasileiro através de dois projetos recém-aprovados pela B4 na região amazônica. O projeto Aracê Ibá, localizado em Aveiro (PA), protege 3.663 hectares de floresta e oferece 3,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em créditos. Paralelamente, o projeto Apoena Kaá conta com inventário de 3,29 milhões de árvores, produzindo 1,6 milhão de toneladas de créditos de carbono certificados.
Estes projetos exemplificam a capacidade brasileira de gerar ativos sustentáveis de alta qualidade, certificados pela LuxCS, primeira certificadora nacional especializada nos biomas brasileiros. Ambos os projetos estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, demonstrando o compromisso com sustentabilidade integral.