Brasil reúne 11 países em coalizão para mercado de carbono na COP30
China, União Europeia e outros nove países aderem à proposta brasileira de harmonização internacional dos mercados regulados de crédito de carbono
Anúncio integrou a programação da Cúpula do Clima de Belém. Foto: Alex Ferro/COP30
A Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono, proposta pelo Brasil, ganhou a adesão de onze países durante a Cúpula do Clima de Belém, na sexta-feira (7). O documento foi endossado por Brasil, China, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, Armênia, Zâmbia e França, permanecendo aberto a novas adesões.
A iniciativa tem como objetivo promover a troca de experiências sobre sistemas de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV), metodologias de contabilidade de carbono e regras para o uso de créditos de alta integridade. Trata-se de uma das principais pautas do Brasil na COP30.
Harmonização de regras entre grandes economias
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, classificou a formação da coalizão como "um passo histórico da COP30". Segundo ele, o mercado regulado de carbono é uma das maneiras mais eficientes de reduzir emissões de gases de efeito estufa.
"Ao promover essa convergência com algumas das maiores economias do mundo, estamos formando regras comuns e estabelecendo um caminho de harmonização das normas entre os países", afirmou Dubeux. Ele destacou que isso permitirá, no futuro, uma interoperabilidade mais profunda entre os mercados.
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A secretária extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, ressaltou que os países signatários já cobrem parte relevante de suas emissões por mecanismos de precificação de carbono. Juntos, representam cerca de 20% das emissões globais.
"É um sinal muito positivo, que fortalece a união e a cooperação internacional. Através desse instrumento, que é uma ferramenta de mercado, financeira, tecnológica e de governança, damos um passo importante para ampliar a ambição climática", enfatizou.
O alinhamento entre os países é considerado fundamental para concretizar o objetivo definido na COP28: reduzir de forma gradual e definitiva a dependência dos combustíveis fósseis, de maneira justa, quantitativa e ordenada. A coalizão permite avançar nesse sentido de modo estruturado e previsível, reduzindo riscos, estimulando investimentos e oferecendo uma trajetória clara de descarbonização ao setor produtivo.
A transformação de ativos sustentáveis em instrumentos padronizados globalmente representa uma mudança significativa no mercado internacional de carbono, posicionando o Brasil como articulador central dessa nova arquitetura climática.