Ativos de Crédito de Carbono acompanham volatividade do dólar nesta quarta-feira (10)

No mercado da Economia Verde, BNDES investe em revolução do etanol com captura de carbono

Por Por Geisa Ferreira da Silva-
4 Min

BNDES libera R$ 384 mi para etanol carbono negativo

O dólar continua em alta, cotado a R$ 5,4656 e com uma volatilidade de ↑0,1576% em relação ao último fechamento. Todos os Ativos de Crédito de Carbono listados acompanharam essa mesma volatilidade, sem outras movimentações relevantes ao longo do dia.

O destaque de hoje vai para a aprovação de R$ 384,3 Mi pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao projeto da FS Indústria de Biocombustíveis de captação e estocagem de CO2, a partir da produção de etanol de milho em Lucas do Rio Verde (MT). Com a instalação pioneira do projeto, a FS pretende remover 100% de sua emissão de CO2, cerca de 423 mil toneladas por ano, e terá potencial de produção do combustível de menor pegada de carbono do mundo. A iniciativa reforça um desafio crescente no contexto global: a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

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  BNDES investe em revolução do etanol com captura de carbono

A indústria brasileira de biocombustíveis acaba de receber um impulso decisivo para sua transformação em direção à sustentabilidade de carbono negativo.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social liberou uma injeção de recursos financeiros de grande vulto — R$ 384,3 milhões — destinada ao desenvolvimento de infraestrutura inovadora de captura e confinamento permanente de dióxido de carbono.

A iniciativa, encabeçada pela FS Indústria de Biocombustíveis em Lucas do Rio Verde, no coração de Mato Grosso, representa um divisor de águas para o mercado global de energia renovável e para o posicionamento brasileiro como liderança inconteste em tecnologias de descarbonização.

O projeto não é meramente mais um investimento em eficiência operacional. Trata-se de um salto qualitativo no modelo de negócio de produção de biocombustíveis, transformando uma atividade econômica tradicional em um processo capaz de absorver suas próprias emissões e convertê-las em ativos ambientais mensuráveis. Para além dos números brutos, essa aprovação sintetiza a convergência entre política de desenvolvimento, inovação tecnológica e urgência climática.

Uma tecnologia que inverte o sinal do carbono

A solução implementada pela FS utiliza a metodologia conhecida como BECCS — Bioenergy with Carbon Capture and Storage — que representa uma adaptação sofisticada do processo tradicional de captura de carbono (CCS) para o segmento de bioenergia. Em termos práticos, significa que o dióxido de carbono liberado durante a fermentação do etanol de milho não seguirá para a atmosfera. Ao invés disso, será capturado, comprimido sob pressão controlada e injetado em formações geológicas profundas, onde permanecerá confinado por milhares de anos.

Os reservatórios onde o carbono será armazenado localizam-se em camadas sedimentares salinas a aproximadamente 1.200 metros de profundidade, na Bacia dos Parecis, uma área que apresenta características geológicas ideais para essa finalidade. A escolha da locação não foi aleatória. Estudos geológicos iniciados pela FS em 2021 mapearam essas formações, confirmando sua adequação para receber e manter o carbono em segurança a longo prazo.

A magnitude do impacto ambiental é proporcional ao investimento. Com a implementação da unidade de captura, a FS projeta remover 100% de suas emissões na planta de Lucas do Rio Verde, o equivalente a aproximadamente 423 mil toneladas de CO₂ anualmente. Para dimensionar esse número: equivale à absorção de carbono que seria gerado por centenas de milhares de veículos circulando durante um ano inteiro.