Após cinco anos de desenvolvimento de metodologias próprias para mensurar emissões agrícolas, a Bayer anunciou a transformação do PRO Carbono em uma plataforma aberta, reforçando sua estratégia de colaboração para acelerar a descarbonização do agronegócio na América Latina.
Criado em 2020 para enfrentar a complexidade de medir emissões no campo, o PRO Carbono evoluiu de um projeto interno para um ecossistema compartilhado. Hoje, reúne dados de mais de 3 mil agricultores no Brasil, Argentina e Paraguai, cobrindo mais de 3 milhões de hectares de soja, milho e algodão, e se consolidou como o maior banco de dados sobre agricultura regenerativa da região.
“O mais difícil foi começar do zero. Primeiro entendemos como mensurar, quais práticas regenerativas funcionavam, depois colaboramos e construímos credibilidade”, afirmou o CEO da Bayer para a América Latina, Maurício Rodrigues, ao anunciar a abertura da plataforma diante de potenciais parceiros do setor. Para 2026, o objetivo é atrair novas empresas e instituições que compartilhem os mesmos valores e ampliem o impacto da iniciativa.
Desde 2021 à frente da operação latino-americana, o CEO define a agricultura regenerativa como o norte da estratégia da Bayer.
“O conceito é produzir mais, emitir menos e regenerar mais”, defendeu.
Segundo ele, a agenda ambiental está diretamente ligada à segurança alimentar das próximas décadas, que exigirá aumento de produtividade aliado à conservação do solo.
A aposta em colaboração, segundo o executivo, tem raízes em dois pilares: diversidade e inovação. Rodrigues defende que organizações diversas interagem melhor com diferentes atores e constroem soluções mais eficazes. Essa visão também orienta programas da Bayer voltados à cadeia de fornecedores, levando práticas e aprendizados da empresa para além de suas operações diretas.
“Não basta resolver internamente. É preciso influenciar o ecossistema”, afirmou o CEO.
A abertura do PRO Carbono representa uma mudança de paradigma no setor. Em vez de tratar dados e metodologias como vantagem competitiva, a Bayer passou a convidar outras empresas a usar e enriquecer a plataforma.
“Não é um projeto exclusivo da Bayer. É uma colaboração com a Embrapa, clientes, especialistas e, principalmente, agricultores”, reforçou o CEO.
Ao longo de cinco anos, a empresa desenvolveu, em parceria com 47 especialistas e 19 instituições científicas, metodologias para quantificar emissões e remoções de carbono por meio de práticas sustentáveis. Os resultados mostram ganhos ambientais e produtivos: as fazendas participantes registraram aumento médio de 11% na produtividade anual e crescimento de 9% na estabilidade produtiva.
“Nas áreas de soja, a pegada de carbono ficou 50% abaixo da média nacional, com potencial de superar 70% de redução com melhorias de manejo. O sequestro de carbono aumentou 50%, mesmo em um contexto de mudanças climáticas. No total, os projetos já removeram 1,39 milhão de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera, o equivalente ao reflorestamento de 231 mil hectares", explicou o executivo da Bayer.
Segundo a diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina, com as ferramentas certas, é possível reduzir emissões e transformar a agricultura em parte da solução climática
A plataforma integra três ferramentas principais: o Footprint PRO Carbono, desenvolvido com a Embrapa, que calcula a pegada de carbono de soja, milho e algodão com dados primários e gera relatórios auditáveis; o PROCarbon-Soil (PROCS), que estima o potencial de sequestro de carbono no solo; e o Conecta PRO Carbono, sistema de medição, monitoramento, reporte e verificação que garante rastreabilidade e credibilidade aos dados, explicou.
O desempenho comprova que a agricultura pode deixar de ser apenas emissora e se tornar um sumidouro de carbono, acredita.
O modelo colaborativo já começa a gerar resultados concretos. Uma parceria recente com a Viterra reúne mais de 1.200 produtores e supera 2 milhões de hectares na Argentina. No primeiro ano, as áreas participantes apresentaram pegada de carbono 35% menor que a média nacional, com potencial de superar 60% de redução. A próxima etapa prevê expansão para o Paraguai.
Outra iniciativa é a linha de crédito criada com o Rabobank, que combina práticas regenerativas do PRO Carbono com incentivos financeiros. Para acessar os recursos, o agricultor precisa assumir compromissos em três indicadores de ESG, incluindo obrigatoriamente metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.
Comunicação e legado da COP30
Para o CEO, um dos maiores desafios do setor não está no campo, mas na comunicação.
“O produtor não é o problema. Ele já usa, em média, 10 práticas sustentáveis, contra sete da média mundial, mas isso não é reconhecido”, afirmou.
Tecnologias como plantio direto e rotação de culturas, segundo ele, são adotadas em escala superior à de muitos países.
Essa percepção ganhou força durante a COP30, em Belém, onde a agricultura brasileira ganhou protagonismo com a criação da AgriZone, espaço conduzido pela Embrapa e apoiado por empresas como a Bayer.
“Foi um grande golaço: ajudou a desmistificar e posicionar corretamente o agro no debate climático”. Além disso, "A Bayer também acompanha de perto as discussões sobre o combate ao desmatamento e mantém diálogo com o Ministério da Agricultura"
Estamos engajados em todas as agendas que contribuam para uma agricultura mais regenerativa”, concluiu o CEO