Relatório da ONU mostra que proteção ambiental pode acelerar o crescimento do PIB

Documento GEO-7 reúne análises de 287 cientistas de 82 países e identifica cinco sistemas-chave para impulsionar a economia mundial

Por Hellen Mendes-
5 Min

Relatório da ONU mostra que proteção ambiental pode acelerar o crescimento do PIB
Sessão de abertura da 7ª Assembleia de Meio Ambiente da ONU, em Nairóbi, no Quênia, Foto: Monicah Mwangi/Reuters

O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Panorama Ambiental Global: O futuro que podemos escolher, que está em sua 7ª edição – GEO-7, que totaliza 1.222 páginas, mostra que é urgente implementar ações para proteger o meio ambiente e combater a pobreza, já que, continuar seguindo nos atuais caminhos de desenvolvimento só intensificará o impacto das mudanças climáticas.  

O documento GEO-7, lançado em Nairóbi, é resultado do trabalho de 287 cientistas de 82 países, e aponta para ganhos anuais de pelo menos US$ 20 trilhões com a transformação de cinco sistemas-chave em torno de novas práticas que estimulem a economia sustentável, conservação, restauração e descarbonização.

O relatório afirma que as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a degradação da terra, a desertificação, a poluição e os resíduos, têm causado um grande impacto no planeta, nas pessoas e nas economias – custando trilhões de dólares por ano. Diante disso, seguir nos atuais caminhos de desenvolvimento só intensificará esse impacto.

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Além disso, alerta para a necessidade de serem adotados novos modelos de negócios, que priorizem a economia circular de produtos e a educação para práticas de sustentabilidade e preservação ao meio ambiente, que devem ser encarados não como custo, mas investimento nas próximas gerações e em uma vida mais saudável e duradoura para as pessoas e os biomas, Já que a degradação ambiental tira milhões de vidas e custa trilhões anualmente.

O Panorama Ambiental Global (Global Environment Outlook) aponta para ganhos anuais de pelo menos US$ 20 trilhões com a transformação de cinco sistemas-chave. São eles:

1 Precificar impactos ambientais e redirecionar incentivos
2 Implementar o design circular de produtos
3 Descarbonizar a matriz energética e aumentar sua eficiência
4 Reduzir a perda e o desperdício de alimentos

Os cinco sistemas- chave orientam para novas formas de impulsionar a economia, com uma visão mais a longo prazo, e não apenas com foco no lucro, mas em uma economia regenerativa.

Mostram que o fator-chave para essa abordagem é deixar de lado a preocupação com o PIB e adotar indicadores que também acompanhem o capital humano e natural, incentivando as economias a avançarem em direção à circularidade, à descarbonização do sistema energético, à agricultura sustentável, à restauração de ecossistemas e todas as medidas que priorizem a preservação e boas práticas.

Além disso, o relatório também traz uma análise, com base na meta de acelerar a conservação e restauração da biodiversidade, em face do real cenário de agravamento da crise climática, gerado pela má governança, busca excessiva pelo lucro em detrimento da segurança em saúde e proteção ambiental, e a falta de políticas públicas, metas climáticas e investimento por parte dos governos e do real comprometimento com educação ambiental para a população.

A síntese evidencia uma necessidade urgente de tomada de decisões que envolve, de forma integrada, a participação de empresas, governos setor financeiro, academia, sociedade civil e também detentores de conhecimento indígena
 
Acompanhe a análise:

Acelerar a conservação e restauração da biodiversidade

Há uma crise ambiental. A mudança climática, a perda de biodiversidade, a degradação dos solos e a poluição ameaçam a segurança nacional dos países, a saúde pública, a estabilidade econômica e os próprios contratos sociais;

Há uma crise de governança. Os políticos atuais miram ganhos de curto prazo em detrimento da resiliência de longo prazo, deixando de lado metas climáticas;

Uma reforma financeira é necessária. É essencial redirecionar US$ 1,5 trilhão em subsídios prejudiciais e absorver US$ 45 trilhões de externalidades;

Governos e sociedades têm que dar respostas integradas. A formulação de políticas deve reunir empresas, setor financeiro, academia, sociedade civil e também detentores de conhecimento indígena, com transições justas, rápidas e irreversíveis;

É preciso justiça e equidade. "As nações mais ricas devem reduzir o consumo e mobilizar finanças e tecnologia; as de renda média devem ampliar a infraestrutura verde; países de baixa renda precisam de apoio para avançar em suas tecnologias", diz o documento. Comunidades mais vulneráveis e os povos originários precisam ter prioridade.

O relatório é a maior maior análise ambiental global já feita e traz uma mensagem clara: a proteção ambiental não é um custo, mas o caminho mais eficiente para a prosperidade.

E deve começar o quanto antes, Já que a transformação macroeconômica sugerida pelo estudo começaria a aparecer em 2050, quando o Acordo de Paris prevê a neutralidade de emissões, e crescer para US$ 20 trilhões anuais a partir de 2070.

 


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