A economia brasileira deve perder fôlego em 2026 e só voltar a acelerar de forma mais consistente a partir de 2027, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última quinta-feira (8). De acordo com o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 2% em 2026, ano de eleições presidenciais no país.
A projeção reflete a desaceleração observada na virada do ano, após dados de dezembro de 2025 indicarem que o Brasil saiu do grupo das dez maiores economias do mundo em termos de PIB medido em dólares. Segundo ranking global da Austin Rating, o país caiu da 10ª para a 11ª posição.
Ainda assim, a ONU avalia que uma política fiscal “moderadamente expansionista” pode compensar parcialmente o ritmo mais fraco da atividade econômica. Para a organização, a desaceleração projetada está relacionada, principalmente, aos efeitos defasados do aperto monetário.
“A desaceleração reflete os impactos tardios do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento”, afirma a ONU no relatório.
O documento também aponta riscos adicionais decorrentes das tarifas impostas recentemente pelos Estados Unidos — que chegam a até 50% — sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. No entanto, a ONU avalia que o impacto tende a ser limitado, uma vez que os EUA respondem por cerca de 12% das exportações do Brasil, além do histórico recente de retomada de tarifas sobre diferentes setores durante a gestão do presidente Donald Trump.
Segundo a ONU, o Brasil só deve recuperar um ritmo mais forte de crescimento no próximo governo. A expectativa é de que o PIB avance 2,3% em 2027.
Na comparação regional, o país deve apresentar desempenho econômico mais robusto do que México e América Central entre 2025 e 2026, mas pode perder essa posição relativa em 2027, de acordo com a organização.
O cenário fiscal segue como um dos principais desafios para a economia brasileira. Projeções do economista-chefe do Banco Inter indicam que o atual arcabouço fiscal não tem sido suficiente para conter o crescimento das despesas públicas.
Segundo as estimativas, a dívida pública deve aumentar cerca de 10 pontos percentuais no acumulado de quatro anos até 2026, alcançando aproximadamente 82% do PIB. Economistas avaliam que o mecanismo falha tanto no controle dos gastos quanto na ativação de gatilhos capazes de conter as despesas quando os limites são ultrapassados.
“O novo arcabouço fiscal implementado pelo governo tem se mostrado ineficaz em seus objetivos centrais, ao não controlar o crescimento dos gastos nem acionar mecanismos de ajuste”, avaliam analistas.
A trajetória de alta do endividamento público é apontada como um indicador-chave do cenário macroeconômico. As projeções indicam mais um ano de crescimento expressivo das despesas, mesmo com um teto previsto de até 2,5% acima da inflação.
Na prática, estimativas apontam para aumentos entre 4% e 5% acima do limite estabelecido pelo arcabouço fiscal. A ONU reforça que esse ambiente, combinado com juros elevados, tende a continuar pressionando o investimento e a atividade econômica.
No campo monetário, a ONU destaca que o Brasil foi uma “exceção importante” em 2025, ao manter uma política mais restritiva enquanto outros países em desenvolvimento da Ásia, América Latina e Caribe iniciaram ciclos de afrouxamento.
Após um aperto significativo na primeira metade de 2025, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% — o nível mais alto desde 2006. A expectativa da ONU é que um ciclo de queda dos juros tenha início em 2026, à medida que a inflação apresente sinais de moderação.
Com informações da ONU e da CNN Brasil.