Gigantes fósseis emitem metade do CO₂ global em 2024

Relatório britânico aponta 32 empresas de combustíveis fósseis responsáveis por 1,7 bilhão de toneladas de emissõe

Por Por Geisa Ferreira da Silva-
7 Min

Gigantes fósseis emitem metade do CO₂ global em 2024
Plataforma B4 oferece infraestrutura blockchain para negociação transparente de Créditos de Carbono e outros ativos sustentáveis.

O mercado de ativos sustentáveis movimentou-se nesta quarta-feira (22) acompanhando a volatilidade do dólar, que encerrou o pregão cotado a R$ 5,3118, com queda de 0,4684%. Os Créditos de Carbono listados na B4, primeira Bolsa de Ação Climática do Brasil, seguiram o movimento cambial sem registrar alterações significativas além das oscilações naturais da moeda americana.

Acesse o documento completo em https://b4.capital/pt/22-01-2026-boletim-cotacao-ativos-sustentaveis-destaque-emissoes-de-2024-causadas-por-empresas-de-combustiveis-fosseis/ 

Consulte também o histórico: https://b4.capital/pt/category/boletim/ 

Enquanto os ativos sustentáveis mantêm seu potencial de crescimento no mercado brasileiro, um relatório internacional divulgado pela organização britânica InfluenceMap jogou luz sobre a concentração alarmante das emissões globais de dióxido de carbono. O estudo revela que apenas 32 empresas de combustíveis fósseis foram responsáveis por aproximadamente metade das emissões mundiais de CO₂ em 2024.

A Saudi Aramco, estatal de petróleo e gás da Arábia Saudita, lidera o ranking dos maiores poluidores globais. A gigante petrolífera integra o restrito grupo das 32 companhias que, sozinhas, emitiram cerca de 1,7 bilhão de toneladas de CO₂ no último ano. Para se ter uma dimensão do impacto, se a Saudi Aramco fosse um país, ocuparia a quarta posição entre os maiores poluidores do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia.

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Concentração histórica das emissões intensifica crise climática

O relatório Carbon Majors, produzido pelo think tank InfluenceMap, mapeia as emissões desde 1854 e demonstra um padrão preocupante de concentração. Emmett Connaire, líder do relatório, destacou que a cada ano as emissões globais tornam-se cada vez mais concentradas em um grupo reduzido de produtores de alta emissão, enquanto a produção total continua a crescer Executive Digest.

Entre as empresas privadas, a ExxonMobil lidera o ranking de emissões, sendo responsável por um volume equivalente às emissões totais da Alemanha, nono maior poluidor mundial. A lista inclui ainda outras gigantes como Shell, Chevron e BP, que historicamente acumulam enormes volumes de gases de efeito estufa lançados na atmosfera.

Das 20 maiores empresas emissoras, 17 são produtores estatais controlados por países que, durante a COP30 da ONU em dezembro, se opuseram ao plano de eliminação gradual de combustíveis fósseis Executive Digest, incluindo Arábia Saudita e outras nações produtoras de petróleo e gás.

Mercado de carbono brasileiro surge como contraponto estratégico

Diante desse cenário de concentração de emissões, o mercado brasileiro de carbono ganha relevância estratégica. Com a recente sanção da Lei 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), o Brasil se posiciona para liderar soluções climáticas globais.

O país tem potencial para movimentar até R$ 580 bilhões (cerca de US$ 120 bilhões) até 2030 no mercado de carbono, aproveitando suas vastas áreas preservadas que representam aproximadamente 60% do território nacional. Essa capacidade coloca o Brasil como protagonista no fornecimento de créditos de carbono de alta qualidade para empresas e países que precisam compensar suas emissões.

A B4 opera na vanguarda dessa transformação, oferecendo infraestrutura baseada em blockchain para negociação de ativos sustentáveis. A plataforma utiliza a transformação de ativos para garantir rastreabilidade, transparência e segurança nas operações envolvendo Créditos de Carbono, créditos de biodiversidade e certificados de energia renovável.

Responsabilização corporativa ganha força internacional

Tzeporah Berman, da Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative, sublinhou que um grupo poderoso e concentrado de corporações de combustíveis fósseis não só domina as emissões globais, como sabota ativamente a ação climática e enfraquece a ambição dos governos Executive Digest. A declaração reforça a urgência de mecanismos de responsabilização corporativa.

Christiana Figueres, antiga chefe de clima das Nações Unidas, acrescentou que os grandes emissores continuam do lado errado da história, mantendo-se agarrados a produtos obsoletos e poluentes apesar da energia limpa e a eletrificação receberem quase o dobro do investimento global face aos fósseis Executive Digest.

Os dados do relatório Carbon Majors têm sido utilizados em processos judiciais contra empresas de combustíveis fósseis e seus dirigentes, criando precedentes para responsabilização legal. Estados norte-americanos como Vermont e Nova York já fundamentaram legislações de fundos climáticos baseadas nessas análises.

Fusões setoriais concentram ainda mais o poder poluidor

O relatório da InfluenceMap documenta também o processo de consolidação no setor de combustíveis fósseis. Fusões recentes, como a aquisição da Pioneer Natural Resources pela ExxonMobil e da Hess pela Chevron, refletem a concentração crescente de poder entre os maiores emissores globais.

Essa consolidação preocupa especialistas porque reduz o número de atores no mercado, concentrando decisões sobre produção e emissões em um grupo ainda menor de executivos. A tendência contraria os esforços internacionais de diversificação energética e transição para fontes limpas.

Brasil se prepara para mercado regulado de carbono

Enquanto as empresas de combustíveis fósseis continuam expandindo operações, o Brasil avança na estruturação de seu mercado regulado de carbono. A partir de 2025, cerca de cinco mil empresas do setor industrial terão metas obrigatórias de descarbonização, podendo cumpri-las através da aquisição de Cotas Brasileiras de Emissão (CBEs).

O sistema brasileiro adota o modelo cap and trade, estabelecendo limites máximos de emissões por setor. Empresas que ultrapassarem esses limites precisarão comprar créditos de outras que conseguirem reduzir emissões abaixo da meta. O mecanismo cria incentivos econômicos para investimentos em tecnologias limpas e práticas sustentáveis.

A regulamentação também prevê a criação de Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), ativos que comprovam a redução ou remoção de uma tonelada de CO₂ equivalente. Esses certificados poderão ser negociados tanto no mercado regulado quanto no voluntário.

Oportunidades para economia verde nacional

O potencial econômico do mercado de carbono brasileiro vai além das negociações financeiras. Estudos indicam que as rotas industriais ligadas aos créditos de carbono podem gerar até três milhões de empregos no Brasil até 2030, acrescentando R$ 1 trilhão ao PIB nacional no mesmo período.

Para o mercado financeiro, o avanço desse ecossistema abre espaço para novas classes de ativos, fundos temáticos, seguros climáticos e instrumentos sofisticados de mitigação de risco. Investidores terão acesso a oportunidades que combinam retorno financeiro com impacto socioambiental positivo.

A B4 emite Certificados de Ação Climática em formato NFT para compradores de créditos, fornecendo comprovação digital das compensações realizadas. Essa inovação facilita a publicidade das ações sustentáveis corporativas e reforça o compromisso com transparência nas operações.

 


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