Novas regras do Sistema B elevam rigor para empresas

Certificação global substitui pontuação por requisitos obrigatórios em 7 áreas. Mudança visa combater greenwashing e garantir impacto auditável.

Por Geisa Ferreira da Silva-
2 Min

(Imagem: PortalB4/Proprietária)

O B Lab, organização responsável pela certificação de Empresas B, anunciou uma mudança estrutural em seus padrões globais que promete elevar a barra da integridade corporativa.

A partir de 2026, a certificação deixa de ser baseada apenas em um sistema flexível de pontuação para exigir o cumprimento de requisitos obrigatórios em sete áreas críticas de impacto. A medida visa diferenciar empresas verdadeiramente comprometidas com a regeneração daquelas que apenas mitigam danos.

Para o mercado, a atualização transforma o selo de Empresa B em um ativo de Reputação e Risco. Os novos critérios exigem evidências concretas em temas como Ação Climática (alinhada à meta de 1,5°C), Direitos Humanos e Circularidade.

Do Discurso à Prática Auditável

A principal alteração é o fim da compensação de notas: uma empresa não poderá mais usar uma pontuação alta em "Gestão Ambiental" para encobrir deficiências em "Direitos Humanos", por exemplo. Todos os sete pilares — que incluem também Propósito, Governança e Trabalho Justo — passam a ter exigências mínimas não negociáveis.

Segundo dados do B Lab, Empresas B em mercados desenvolvidos têm 8,1 vezes mais probabilidade de compensar integralmente suas emissões e 49% mais chances de oferecer transparência total sobre a cadeia de fornecedores.

Impacto na Economia Real

Para investidores e gestores de ativos, a nova arquitetura da certificação funciona como uma ferramenta de due diligence. Empresas que atingem os novos padrões demonstram resiliência operacional e menor exposição a riscos regulatórios e climáticos.

No Brasil, onde cerca de 500 companhias já possuem o selo (incluindo gigantes como Natura e Movida), a mudança deve acelerar a busca por Rastreabilidade e transparência fiscal, alinhando o setor privado nacional às melhores práticas globais de governança.

Jornada de Melhoria Contínua

O novo modelo também introduz metas progressivas para os anos 3 e 5 de certificação, garantindo que a sustentabilidade seja um processo contínuo de evolução, e não apenas um "crachá" estático. Isso reforça o compromisso com os ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes).