B4 reúne especialistas no Hub Techoá para integrar infraestrutura tecnológica, créditos de carbono auditados e realidade da Amazônia

Evento debateu desde a urgência da eficiência energética em Data Centers à democratização social pela reciclagem e o papel das estruturas viabilizadoras no mercado climático.

Por
8 Min

B4 reúne especialistas no Hub Techoá para integrar infraestrutura tecnológica, créditos de carbono auditados
(Imagem: PortalB4/Proprietária)

CAMPINAS, SP – Em um encontro marcado pelo alinhamento rigoroso entre inovação digital e as demandas socioambientais do Brasil Real, o Hub Techoá, localizado no CPQD em Campinas, sediou nesta quarta-feira (27) o Evento “B4 | Ação Climática em Foco” realizado pela Bolsa de Ação Climática. Mantendo um público qualificado e constante líderes de mercado ao longo de toda a jornada, as discussões integraram inteligência artificial, modelagem florestal de carbono e economia circular urbana.

A abertura do evento foi sobre o impacto da sustentabilidade para Data Centers, conduzida por Fabrício Lira Head do Techoá, que revelou a preocupação na sustentabilidade de centros de processamento de dados, mercado que enfrenta expansão explosiva no mundo e encontra no Brasil um território estratégico.

"Os data centers têm um desafio também que é a questão da sustentabilidade, porque eles consomem muita energia, recursos naturais, água... Centrais maiores consomem de 1 a 2 Gigawatts, equivalente ao consumo anual de uma cidade do tamanho de Campinas. Diante disso, qualquer 5% que a gente conseguir ajudar um data center a reduzir o consumo de energia é bastante significativo." — Fabrício Lira.

Logo em seguida, Odair Rodrigues, CEO da B4, reforçou a volta dos Eventos B4- Ação Climática em Foco em 2026.

"A ideia desse evento é a gente conectar os prestadores de serviços e parceiros que estão investindo nessa área de sustentabilidade... e também fazer um pouco de prestação de contas da Bolsa de Ação Climática. Mostrar o que está acontecendo de resultado nessa jornada" — Odair Rodrigues.

Estruturas viabilizadoras: De discurso a mercado real

Um dos momentos de maior destaque técnico do evento foi a contribuição da renomada futurista Lala Deheinzelin, pioneira em Economia Criativa no Brasil e desenvolvedora da Fluxonomia 4D. Em sua fala, ela detalhou como a tecnologia e a governança integrada são as únicas ferramentas capazes de transformar o potencial ambiental intangível em economia real circulante.

"Pra que a sustentabilidade deixe de ser discurso e vire mercado, a gente precisa, antes de mais nada, de estruturas viabilizadoras. O que que quer dizer isso? Existem muitos recursos potenciais, por exemplo, todos os ligados à ação climática e carbono são um deles. Mas isso tudo é intangível, a não ser que você tenha todo um sistema que une a informação da academia com, por exemplo, você botar em blockchain, pra poder registrar, com atribuir valor, com ter mecanismos de negociação, enfim, é todo um complexo. Não dá pra fazer isso de forma isolada, mas só é possível fazer quando existem estruturas viabilizadoras, como por exemplo, a B4, que é uma estrutura que faz essa ponte entre algo que é um potencial e algo que é realmente dinheiro que pode circular." — Lala Deheinzelin.

A realidade humana e o isolamento logístico na Amazônia O ponto de inflexão social do evento ocorreu no painel sobre o Projeto da CONFAF BRASIL liderado por Sandra Maria (Presidente da CONFAF Brasil), que trouxe lideranças rurais do Pará e de São Félix do Xingu para contextualizar o abismo econômico enfrentado pelas comunidades nativas.

O pessoal esquece que na Amazônia também existem muitas pessoas. E é muito difícil falar sobre riqueza e dinheiro quando se trata dessas regiões. O evento é uma oportunidade para conhecer um pouco de como é, de fato, o dia a dia de quem vive na área rural, na floresta, e sobrevive disso. O grande problema é que o dinheiro realmente não chega para coisas importantes, como TV, escolas para nossos filhos e o básico. — Marivalva (Comunidade de São Félix do Xingu).

Quando as pessoas chegam querendo desenvolver projetos, muitas vezes vêm com um viés de proteger as florestas enquanto impedem, de forma violenta, a sobrevivência da população local na agricultura familiar — Lázaro  (Comunidade de São Félix do Xingu).

"Lá na nossa região é um lugar muito isolado... para quem mora aqui (em São Paulo) é muito estranho. Não tem estrada... você não veêm como a gente convive lá dentro, mas temos uma produção muito grande, uma capacidade de oferecer, só que a gente não tem condição porque não tem estrada para tirar lá de dentro. É um lugar que produz muita coisa, como o açaí nativo da mata, a castanha-do-pará tudo nativo, mas não tem como você tirar e passar pra frente."  Seu Antônio (Comunidade de São Félix do Xingu).

Rigor científico e a 'Metáfora da Balança' no Crédito de Carbono O painel liderado por Alexandre Chiachiri, Fundador e CEO da Vert Ecotech desmistificou a precificação ambiental, pontuando que o cálculo correto exige critérios científicos profundos:

"Dentro da modelagem para se ter a quantidade de crédito de carbono, existem algumas variáveis que são levadas em consideração. Além do tamanho da área, é lógico, tem-se o bioma, a fitofisionomia, tem-se o estágio vegetacional, tem-se... qual a idade dessa floresta."

Chiachiri utilizou uma analogia comercial prática para explicar a obrigatoriedade das auditorias técnicas rigorosas no mercado climático nacional:

"Isso traz o quê? Uma medição mais precisa. É como você ir comprar e falar: 'Olha, me vê cinco pãezinhos'. O padeiro fala: 'Olha, por quilo aqui tem 1 kg, mais ou menos'. Não, a gente vai pôr na balança. Aí eu vou colocar e falar: 'Olha, é 1,250 kg'. Esse é o diferencial." — Alexandre Chiachiri.

A economia circular urbana e a inovação no varejo digital foram apresentadas por Lívia Prado e Francisco Ribeiro, da WasteBank. O projeto utiliza contêineres inteligentes de coleta onde cidadãos descartam resíduos recicláveis, realizam a abertura imediata de contas digitais e recebem o valor na hora, conectando reciclagem, geração de renda e inclusão financeira.

A iniciativa já vem sendo aplicada em cidades como Imperatriz, com foco em estimular o descarte correto de resíduos recicláveis e ampliar o acesso da população a soluções de bancarização por meio da reciclagem. A proposta transforma resíduos em ativos de valor dentro do cotidiano urbano, aproximando sustentabilidade de impacto econômico direto para a comunidade.

A transição no comportamento de consumo foi complementada por Ana Lindiner (Especialista de IA na Circular Labs & Aruatech), mapeando como as tomadas de decisões de sustentabilidade acompanham a transformação digital, em que o consumidor migrou da compra física tradicional para jornadas digitais pautadas por inteligência artificial e algoritmos personalizados.

Democratização Social pela Música A integração entre ecologia e cultura foi consolidada pelo Maestro Ricardo Calderoni e pelo professor Everton Oliveira, ao apresentarem os resultados do projeto focado na fabricação de instrumentos musicais clássicos refinados (violinos e violoncelos) a partir de tubos de PVC reciclados.

"A gente consegue democratizar a música clássica. Ela passa a ser acessível. Aqueles instrumentos que eram caríssimos passam a, imediatamente, ser entregues nas mãos das crianças, e com isso elas podem se desenvolver." — Maestro Ricardo Calderoni

 

O Saldo de um Futuro Regenerativo em Construção

O Evento B4 | Ação Climática em Foco - Maio - 2026 - consolida a urgência e a viabilidade prática da agenda de sustentabulidade quando amparada por governança transparente. Ao unificar as dores reais do isolamento logístico da floresta com soluções de ponta como blockchain, inteligência artificial e ecossistemas de inovação urbana, o evento demonstrou que o Brasil já possui o arranjo tecnológico necessário para transformar os ativos sustentáveis do país. A jornada, classificada pelos fundadores como longa e complexa, dá um passo definitivo ao tangibilizar a preservação em valor monetário direto na conta do cidadão e das comunidades tradicionais, convertendo o antigo discurso socioambiental em um mercado ativo, seguro e perfeitamente auditável.

Para acompanhar os relatórios de impacto, projetos homologados e a evolução dos ativos sustentáveis custodiados, acesse o portal institucional da Bolsa de Ação Climática em b4.capital.


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »