A 11ª Reunião da Subcomissão Econômico-Financeira Brasil-China, realizada em São Paulo, foi marcada por uma pauta central: a agenda sustentável. O encontro, copresidido pela embaixadora Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, e por Liao Min, vice-ministro de Finanças da China, consolidou compromissos entre os dois países para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e ampliar o financiamento climático.
O evento, que contou com representantes de órgãos econômicos e financeiros de ambos os governos, reforçou o papel da Subcomissão como principal fórum de diálogo bilateral em questões financeiras. O pano de fundo foi a assinatura, em julho de 2025, de um memorando de entendimento entre os Ministérios da Fazenda do Brasil e da China, que estabeleceu bases para intensificar a cooperação econômica e climática.
As delegações analisaram cenários macroeconômicos globais e regionais, destacando a importância da transparência nas políticas fiscais e monetárias e a coordenação internacional em prol do crescimento sustentável. Mas o ponto alto foi o aprofundamento do debate sobre finanças verdes, um tema cada vez mais estratégico para as duas maiores economias emergentes do planeta.
Brasil e China discutiram instrumentos inovadores para ampliar o financiamento de iniciativas ligadas ao meio ambiente. Entre os tópicos abordados estiveram a Plataforma de Investimento em Transformação Climática e Ecológica (BIP), o Programa EcoInvest e o Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF), voltado para a preservação de biomas estratégicos como a Amazônia.
Outro avanço foi o reforço da cooperação em taxonomias sustentáveis, classificações que definem quais atividades econômicas podem ser consideradas verdes. Esse alinhamento é fundamental para mobilizar recursos privados e direcioná-los a projetos de baixo carbono, reduzindo riscos de greenwashing — prática em que empresas divulgam compromissos ambientais sem resultados concretos.
O encontro destacou ainda a preparação conjunta para a COP30, que será sediada em novembro, em Belém do Pará. Ambos os países reafirmaram o papel do Círculo de Ministros de Finanças da COP30 como instância central para coordenar esforços em financiamento climático global.
Esse alinhamento fortalece a posição brasileira como anfitrião da conferência e amplia a visibilidade internacional do país no debate sobre clima, reforçando o compromisso de construir uma economia mais inclusiva e sustentável.
Além da agenda verde, Brasil e China avançaram em temas como conectividade entre bolsas de valores, cooperação em seguros, supervisão bancária e ampliação do uso de moedas locais em transações comerciais. Mas o destaque foi a integração das finanças sustentáveis como eixo transversal em todas as áreas de cooperação.
O Banco Central do Brasil, o BNDES, a CVM e o IPEA participaram das discussões, ao lado de autoridades chinesas como o Banco Popular da China e o Banco de Desenvolvimento da China. Juntos, reafirmaram a necessidade de mecanismos financeiros mais acessíveis e transparentes para apoiar projetos sustentáveis.
O governo brasileiro apresentou o Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil, coordenado pelo Ministério da Fazenda. A estratégia busca reposicionar o país como líder na transição para uma economia de baixo carbono, aproveitando ativos nacionais como a matriz energética limpa, a biodiversidade e a bioeconomia.
O plano prevê medidas fiscais, regulatórias e financeiras para garantir que a transição ecológica se converta em um novo ciclo de desenvolvimento econômico inclusivo. A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), compromisso climático firmado pelo Brasil no Acordo de Paris, serve como base para o conjunto de ações.
Ao final da reunião, Brasil e China reafirmaram o compromisso em transformar a Subcomissão Econômico-Financeira em fórum estratégico para alinhar políticas de finanças sustentáveis. A próxima edição do encontro ocorrerá na China, em 2026.