Belém (PA) entra em modo operação global para receber, nesta quinta e sexta-feira, 6 e 7 de novembro, a Cúpula do Clima — encontro de alto nível que antecede a COP30 e reúne chefes de Estado e de Governo, ministros e organismos internacionais. O palco principal é o Parque da Cidade, dentro da Zona Azul (área de segurança para delegações), e o foco é combinar gesto político e roteiro de trabalho para a semana seguinte, quando se inicia a conferência da ONU.
Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Cúpula mira três entregas claras: dar sinal político sobre metas e financiamento; alinhar expectativas para as negociações; e colocar a Amazônia e demais florestas tropicais no centro da conversa. A abertura acontece na manhã do dia 6, seguida de discursos de líderes ao longo do dia. O encontro também inclui o almoço do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa que o governo brasileiro quer lançar como endowment global para premiar a conservação.
A COP30 começa oficialmente entre 10 e 21 de novembro, também em Belém, com debates técnicos e decisões formais. A Cúpula, portanto, é o “esquenta” político que define o tom das negociações — e, em 2025, ocorre na borda da maior floresta tropical do planeta, o que amplia o peso simbólico e prático das discussões sobre florestas, transição energética e financiamento.
Entre 7h e 10h, ocorre a chegada dos líderes à Zona Azul, com recepção presidencial. Às 10h30, abre-se a Plenária Geral dos Líderes, no Salão Plenário, onde cada chefe de delegação tem tempo de púlpito para pronunciamento. O formato é contínuo ao longo do dia, intercalando falas e intervalos técnicos.
Das 13h às 14h30, acontece o almoço do TFFF (Tropical Forests Forever Facility) na Mesa Redonda de Líderes — encontro reservado para países com grandes florestas e parceiros financeiros. A proposta brasileira prevê capitalização escalonada (pública e privada) e pagamentos anuais por desempenho de conservação, com o Banco Mundial como gestor financeiro. A meta de US$ 10 bilhões no primeiro ano foi classificada pelo Ministério da Fazenda como ambiciosa, porém viável, se houver entradas coordenadas do G20.
No fim da tarde, das 16h às 18h, a Sessão Temática 1 coloca em pauta Clima e Natureza: Florestas e Oceanos, também na Mesa Redonda de Líderes. Logo depois, há foto de família (18h15–18h30) e, às 18h30, o Coquetel Amazônico para chefes de delegação. A programação de quinta concentra o eixo natureza e prepara o terreno para energia e finanças no dia seguinte.
A sexta repete o protocolo de chegada à Zona Azul (8h–10h) e foto de família (10h–10h30). Às 10h30, volta a Plenária Geral dos Líderes, com discursos ao longo do dia. Na sequência, das 11h às 13h, ocorre a Sessão Temática 2 — Transição Energética, dedicada a caminhos de descarbonização em geração elétrica, indústria e transporte, com ênfase em renováveis, eficiência e redução de metano.
O bloco final, das 16h às 18h10, marca a Sessão Temática 3 — 10 anos do Acordo de Paris: NDCs e Financiamento. É a hora de ligar o passado ao futuro: revisar o legado de Paris (2015) e indicar como os países pretendem apresentar novas NDCs em 2025 compatíveis com 1,5°C, além de discutir fontes, governança e previsibilidade do dinheiro. A expectativa é ancorar, politicamente, temas que serão discutidos tecnicamente na semana da COP30.
A Zona Azul concentra plenárias e sessões de líderes; é área de segurança com controle estrito de credenciais, e o Parque da Cidade funciona como hub central de deslocamentos. O Guia de Imprensa oficial detalha fluxos, pontos de acesso e regras para jornalistas credenciados — documento referência para horários e logística. Autoridades locais e o governo federal reforçam que somente credenciais emitidas pela plataforma oficial permitem entrada na Cúpula nos dias 6 e 7.
A Cúpula do Clima de Belém soma 143 delegações confirmadas, com aberturas e sessões presididas pelo Brasil. A reunião é descrita pelo comitê local como “Cúpula dos Líderes”: serve para sinalizar compromissos políticos e calibrar expectativas antes da COP30, que começa no dia 10 de novembro. Mesmo com desafios logísticos, a escolha de Belém destaca vozes indígenas e a centralidade da Amazônia nas soluções climáticas.
A grade da Cúpula espelha os grandes eixos da COP30: natureza, energia e financiamento. O almoço do TFFF e a sessão sobre 10 anos do Acordo de Paris funcionam como pedestais para a semana seguinte: de um lado, busca-se mobilização financeira em escala; de outro, novas NDCs (2025) com cortes alinhados a 1,5°C e planos setoriais críveis. O governo brasileiro e parceiros têm repetido que florestas e transição energética precisam caminhar com previsibilidade de recursos e integridade — recado que a Cúpula quer transformar em texto e cronograma na COP.
Quinta (6/11)
• 07h–10h: Chegada dos líderes à Zona Azul (Parque da Cidade)
• 10h30–17h30: Abertura e Plenária Geral dos Líderes (Salão Plenário)
• 13h–14h30: Almoço – TFFF (Mesa Redonda de Líderes)
• 16h–18h: Sessão Temática 1 – Clima e Natureza: Florestas e Oceanos (Mesa Redonda)
• 18h15–18h30: Foto de Família
• 18h30–20h: Coquetel Amazônico
Sexta (7/11)
• 08h–10h: Chegada à Zona Azul
• 10h–10h30: Foto de Família
• 10h30–18h: Plenária Geral dos Líderes (discursos)
• 11h–13h: Sessão Temática 2 – Transição Energética (Mesa Redonda)
• 16h–18h10: Sessão Temática 3 – 10 anos do Acordo de Paris: NDCs e Financiamento (Mesa Redonda) COP30 Brasil Amazônia
Falas de abertura: quem anuncia metas nacionais ou recursos novos para financiamento e adaptação. 2) TFFF: quais países e bancos multilaterais detalham aportes, governança e métricas de desempenho. 3) Transição energética: menções diretas a metano, renováveis, eletrificação e descarbonização industrial. 4) NDCs e financiamento: pistas sobre novas metas (2025) e regras para dar previsibilidade aos fluxos. 5) Logística/participação: o quanto a presença de sociedade civil e povos indígenas consegue permeabilidade nos espaços oficiais — tema sensível em um evento de alta demanda por hospedagem e deslocamento.