2025 consolida pior cenário climático com necessidade urgente de ação

Com nova marca de aquecimento, planeta caminha para transformações irreversíveis em ecosistemas e exige respostas rápidas dos mercados sustentáveis

Por Por Geisa Ferreira da Silva-
5 Min

2025 consolida pior cenário climático com necessidade urgente de ação
2025 bate recorde de temperatura; Brasil avança em mercado de carbono regulado como resposta à urgência climática global documentada pelo Copernicus

Os primeiros dados consolidados de 2025 confirmam um cenário cada vez mais alarmante para o planeta. Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a temperatura média global do período compreendido entre janeiro e novembro deste ano alcançou 1,48 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

2025 deve se consolidar como o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado desde o início das observações instrumentais. Esse dado não representa só um número frio em estatísticas climáticas — ele sintetiza um padrão preocupante de aceleração sem precedentes nas mudanças climáticas globais.

A progressão dos recordes térmicos evidencia uma tendência perturbadora. Enquanto 2024 estabeleceu o recorde absoluto de 1,6 graus Celsius de aquecimento, 2023 posicionou-se como segundo mais quente.

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Agora, em 2025, o planeta mantém trajetória ascendente, refletindo não apenas oscilações naturais dos ciclos climáticos, mas sim uma transformação estrutural no sistema climático terrestre.

O que diferencia este período é uma marca histórica nunca antes alcançada: a média trienal de 2023 a 2025 deve ultrapassar pela primeira vez na história dos registros modernos o limite de 1,5 graus Celsius, considerado pelos cientistas como o patamar crítico além do qual os impactos climáticos se tornam catastróficos e potencialmente irreversíveis.

Samantha Burgess, estrategista climática do Copernicus, resumiu a gravidade da situação com clareza. "Esses marcos não são abstratos — eles refletem o ritmo acelerado das mudanças climáticas, e a única forma de mitigar futuros aumentos de temperatura é reduzir rapidamente as emissões de gases do efeito estufa".

Sua declaração aponta para uma realidade incômoda: os dados científicos transformam-se em imperativos de ação política e econômica. O que mudou não é apenas a temperatura, mas também a compreensão global de que a janela para ação efetiva se estreita dramaticamente.

O custo dos eventos climáticos extremos no planeta

As estatísticas de temperatura ganham proporção real quando observadas através dos impactos humanos e ambientais já materializados em 2025. O mês de novembro, terceiro mais quente registrado globalmente com média de 1,54 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, foi marcado por uma cascata de desastres climáticos que deixaram cicatrizes em múltiplas regiões. Ciclones tropicais que devastaram o sudeste asiático provocaram inundações catastróficas que resultaram em mais de 1.800 óbitos e deslocaram populações inteiras de suas comunidades.

O fenômeno climático não se restringe a uma única região. O norte do Canadá, o Oceano Ártico e partes da Antártida registraram anomalias termais significativas em novembro, enquanto a Europa experimentou seu quarto outono mais quente da série histórica, com temperaturas 1,06 graus Celsius acima da média comparativamente ao período de 1990 a 2020. No Brasil, o sul enfrentou secas extraordinárias, intensificando preocupações sobre disponibilidade de água e produção agrícola.

O aquecimento dos oceanos emerge como uma dimensão particularmente preocupante. A temperatura média da superfície do mar em novembro registrou 20,42 graus Celsius, representando o quarto maior valor já documentado para este mês.

Essa elevação térmica dos oceanos catalisa uma série de consequências em cascata: furacões mais intensos, alterações nos padrões de precipitação que geram tanto secas prolongadas quanto chuvas torrenciais, e uma ameaça existencial para ecossistemas marinhos como recifes de coral, responsáveis pela reprodução de grande parte da vida marinha e pela proteção de mangues que capturam carbono da atmosfera.

Brasil em foco

Paradoxalmente, enquanto o planeta aquece em ritmo acelerado, o Brasil tenta ser protagonista de uma resposta institucional estruturada e inovadora. Na COP30 realizada em Belém, entre novembro de 2024 e o início desta série de negociações, o país consolidou um marco histórico: a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), regulamentado pela Lei 15.042/2024, que institui um mercado formal e regulado de carbono sem precedentes na escala e abrangência proposto.

O SBCE funciona através de um modelo cap-and-trade, estabelecendo limites máximos de emissão para setores específicos da economia brasileira. Empresas que conseguem reduzir suas emissões abaixo do limite estabelecido podem vender o excedente para companhias que ultrapassam suas metas, criando incentivos econômicos diretos para a transformação de ativos ambientais em instrumentos financeiros negociáveis.

Os principais ativos sustentáveis do mercado são as Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVEs).

A criação da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono (Semc), estabelecida oficialmente em outubro de 2025, marca o comprometimento institucional em transformar essa lei em realidade operacional. Com uma equipe de 20 integrantes e duas subsecretarias especializadas — uma em Regulação e Metodologias e outra em Implementação — a Semc trabalha com metas ambiciosas até dezembro de 2026: publicação das normas infralegais necessárias, desenvolvimento da infraestrutura tecnológica de monitoramento, relato e verificação, criação do Registro Central de ativos sustentáveis, e contribuição para dinamização do mercado voluntário de carbono com retorno social efetivo para comunidades.


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