Veto presidencial a projeto ambiental recebe apoio de peritos da ONU

Especialistas em direitos humanos elogiam decisão brasileira que protegeu licenciamento ambiental de retrocessos significativos.

Por Por Willian Oliveira-
7 Min

Veto presidencial a projeto ambiental recebe apoio de peritos da ONU
O Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto: Divulgação ONU

O Brasil conquistou reconhecimento internacional pela decisão estratégica de vetar 63 dispositivos do controverso projeto de lei sobre licenciamento ambiental. Especialistas independentes da Organização das Nações Unidas em direitos humanos emitiram nota oficial elogiando a medida presidencial, considerada "um passo decisivo para impedir o desmantelamento do processo de licenciamento ambiental e salvaguardar os direitos humanos, o meio ambiente e o sistema climático".

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tomada em agosto de 2025, foi precedida por intensos debates técnicos e jurídicos que envolveram cinco horas de reunião presidencial. O veto atingiu 63 dos 400 dispositivos originais do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido pelos críticos como "PL da Devastação", que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional em julho.

Os ativos sustentáveis brasileiros ganharam proteção adicional com os vetos presidenciais, que impediram flexibilizações consideradas perigosas pelos especialistas internacionais. A medida demonstra o compromisso nacional com a transformação de ativos ambientais em instrumentos de desenvolvimento sustentável, alinhando-se às expectativas globais para a COP-30 em Belém.

Preocupações internacionais fundamentadas

Em julho de 2025, antes da sanção presidencial, o grupo de especialistas da ONU havia manifestado "sérias preocupações" sobre o projeto original. Os peritos alertaram que a legislação levaria a um "retrocesso significativo" nas proteções ambientais, climáticas e de direitos humanos, comprometendo compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

Entre as inquietações dos especialistas, destacavam-se "o dever de prevenir danos ambientais e climáticos, adotar medidas eficazes para responder as três crises planetárias de mudança climática, perda de biodiversidade e poluição tóxica, e proteger contra violações de direitos humanos relacionadas às empresas". 

A comunidade científica internacional reconhece que o meio ambiente saudável constitui direito humano fundamental, princípio estabelecido pela Assembleia Geral da ONU em 2022. Esta perspectiva reforça a importância de marcos regulatórios robustos para proteger ecossistemas e comunidades vulneráveis, elementos centrais no desenvolvimento de Certificados de Ação Climática em formato NFT e outros instrumentos financeiros sustentáveis.

Dispositivos vetados preservam direitos

Os vetos presidenciais eliminaram disposições consideradas especialmente problemáticas pelos especialistas internacionais. Entre as medidas vetadas estavam "isenções para atividades de mineração dos requisitos de licenciamento e disposições que permitiam o autolicenciamento por proponentes de projetos que poderiam apresentar riscos médios". 

O governo brasileiro também bloqueou tentativas de enfraquecer os processos de consulta a povos indígenas e comunidades quilombolas, especialmente aquelas em terras não demarcadas. Esta decisão protege direitos constitucionais e compromissos internacionais, mantendo salvaguardas essenciais para territórios que concentram importante biodiversidade e conhecimento tradicional.

A proteção da Mata Atlântica foi outro ponto crucial dos vetos. O projeto original previa redução nas proteções do bioma, que já perdeu 76% de sua vegetação nativa. A manutenção do regime especial de proteção garante a integridade de um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, fundamental para a transformação de ativos naturais em instrumentos de conservação.

Fortalecimento da governança ambiental

Os vetos preservaram a competência federal para estabelecer padrões nacionais de licenciamento, evitando a "guerra ambiental" entre estados que poderia resultar de critérios diferenciados para atrair investimentos. Esta centralização de diretrizes técnicas fortalece a segurança jurídica e a previsibilidade para empreendedores responsáveis.

A responsabilidade de instituições financeiras em casos de danos ambientais também foi mantida pelos vetos. Esta medida incentiva o financiamento responsável e alinha o sistema bancário com práticas de sustentabilidade, criando ambiente propício para o desenvolvimento de ativos sustentáveis e instrumentos financeiros verdes.

O papel dos órgãos gestores de unidades de conservação foi preservado, mantendo-se sua autoridade para avaliar impactos de empreendimentos em áreas protegidas. Esta salvaguarda é fundamental para a integridade do sistema nacional de conservação e para o desenvolvimento sustentável de regiões sensíveis.

Inovações mantidas na nova Lei

Apesar dos vetos extensivos, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025) preservou avanços importantes para modernizar os processos. A definição de prazos claros para análise, a obrigatoriedade de tramitação eletrônica e a integração de informações em sistema nacional foram mantidas, atendendo demandas legítimas por maior eficiência.

A Licença por Adesão e Compromisso (LAC) permaneceu para atividades de baixo impacto ambiental, oferecendo tramitação simplificada para projetos que não representam riscos significativos. Esta modalidade equilibra agilidade processual com proteção ambiental, demonstrando que é possível conciliar desenvolvimento econômico com responsabilidade ecológica.

O Licenciamento Ambiental Especial (LAE) foi regulamentado através de Medida Provisória específica, mantendo sua aplicação para empreendimentos estratégicos com procedimentos priorizados. Esta ferramenta permite acelerar projetos de interesse nacional sem comprometer rigor técnico das avaliações ambientais.

Contexto internacional 

A decisão brasileira alinha-se com tendências globais de fortalecimento da governança ambiental. Os especialistas da ONU ressaltaram "o compromisso do Brasil em executar suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos e meio ambiente" Por que semana do clima de Nova York será importante para a COP-30 – CircuitoMT, reconhecendo o esforço nacional para manter padrões elevados de proteção.

O Brasil assumiu compromissos ambientais significativos no cenário internacional, incluindo metas de redução de emissões e proteção da biodiversidade. A preservação de marcos regulatórios robustos é essencial para cumprir estes compromissos e manter a credibilidade internacional, especialmente como anfitrião da COP-30 em Belém.

A integração entre direitos humanos e proteção ambiental, reconhecida pelos especialistas da ONU, fortalece a posição brasileira em negociações climáticas internacionais. Esta abordagem holística favorece o desenvolvimento de soluções inovadoras, incluindo Certificados de Ação Climática em formato NFT e outros instrumentos de transformação de ativos ambientais.

Desafios no Congresso Nacional

Os vetos presidenciais serão submetidos à apreciação do Congresso Nacional, que pode mantê-los ou derrubá-los em sessão conjunta. Para os especialistas da ONU, "reverter a proibição das medidas violaria a Constituição, os direitos humanos, a proteção ambiental e as obrigações do Brasil perante o direito internacional". Por que semana do clima de Nova York será importante para a COP-30 – CircuitoMT

O debate parlamentar sobre os vetos reflete tensões entre diferentes visões de desenvolvimento. Enquanto setores produtivos defendem maior flexibilização, organizações ambientais e especialistas internacionais alertam para riscos de retrocesso em conquistas fundamentais da legislação ambiental brasileira.

A posição da comunidade internacional, expressa através dos especialistas da ONU, adiciona peso político à manutenção dos vetos. O apoio externo fortalece argumentos técnicos e jurídicos para preservar as salvaguardas ambientais, especialmente no contexto da crescente relevância global das questões climáticas.

Impactos para ativos sustentáveis

A manutenção dos vetos presidenciais cria ambiente favorável para o desenvolvimento de ativos sustentáveis no Brasil. A preservação de marcos regulatórios robustos oferece segurança jurídica para investimentos em conservação e recuperação ambiental, elementos essenciais para instrumentos financeiros verdes.

O fortalecimento da governança ambiental brasileira facilita a transformação de ativos naturais em instrumentos de mercado, incluindo créditos de carbono e Certificados de Ação Climática em formato NFT. Esta modernização regulatória posiciona o país favoravelmente para captar recursos internacionais destinados à ação climática.

A decisão presidencial, respaldada por especialistas internacionais, demonstra maturidade institucional brasileira em equilibrar desenvolvimento econômico com proteção ambiental. Este equilíbrio é fundamental para construir mercados de ativos sustentáveis confiáveis e transparentes, alinhados com padrões internacionais de sustentabilidade.


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