Brasil tem potencial para liderar produção de biocombustíveis e contribuir com a descarbonização
Etanol brasileiro assume papel estratégico na descarbonização mundial com investimentos bilionários em novas usinas no Maranhão, Bahia e Mato Grosso.
As modernas biorrefinarias brasileiras destacam-se pelo aproveitamento integral dos grãos processados, gerando produtos de alto valor agregado
O etanol brasileiro, que pode ser usado como solução para veículos leves e na fabricação de combustível sustentável de aviação, pode ser um dos biocombustíveis que vão ajudar o mundo a reduzir as emissões de gases poluentes.
Os biocombustíveis são, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), uma solução para a redução das emissões de gases poluentes dos veículos leves no curto prazo e de caminhões pesados, navios e aeronaves no longo prazo.
Serão a chave para a descarbonização do mundo. Feitos a partir de matéria orgânica (como cana-de-açúcar, soja e milho, entre outros) são a aposta para empresas que também estão investindo na produção de motores e máquinas agrícolas movidos a etanol para veículos pesados. Segundo Agência Internacional de Energia; a produção global tende a crescer 11% ao ano até 2030.
Estimativas da AIE apontam que, para o mundo zerar as emissões líquidas de carbono até 2050, a produção global de biocombustíveis precisará aumentar em 11% ao ano até 2030. Nesse cenário, o Brasil tem muito a contribuir com a produção e uso de combustíveis sustentáveis.
Diante da necessidade de atender a uma demanda, cada vez mais crescente, uma empresa que se destaca como maior produtora de etanol de milho da América Latina inaugurou, no início deste mês, uma usina em Balsas, no Maranhão. É a quinta planta no Brasil da empresa, que tem outras duas no Paraguai.
A companhia deve começar a operar no ano que vem mais uma unidade – de R$ 1,3 bilhão em Luís Eduardo Magalhães (BA) – e estuda instalar sua sétima planta no País em Goiás.
Outra empresa anunciou, no fim de julho, que aportará R$ 2 bilhões em uma usina de etanol de milho em Campo Novo do Parecis (MT). A companhia tem outras três unidades no Estado e planeja mais uma para Querência – também em Mato Grosso –, onde o trabalho de terraplenagem para instalar a planta já começou.
Características que favorecem o Brasil na alta produção de biocombustíveis
Segundo a Escola Superior de Agricultura, o Brasil tem um clima propício e um grande volume de terras já degradadas que podem ser aproveitadas pelo agro, permitindo a ampliação da produção sem que novas áreas sejam desmatadas A experiência com o etanol e a possibilidade de a agricultura produzir matéria-prima para a indústria são os principais fatores por trás do potencial do Brasil, que – além de ampliar a oferta de etanol e biodiesel – pode fabricar etanol de segunda geração (E2G), combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde.
Outro ponto é que as usinas de etanol daqui usam, em grande parte, eucalipto e bambu de reflorestamento para gerar vapor, e não gás de origem fóssil, mais poluente. Além disso, o cultivo brasileiro de milho e soja no mesmo solo melhora a qualidade da terra, reduzindo o uso de fertilizantes, que emitem gases de efeito estufa na fabricação.
Os biocombustíveis emergem como um dos segmentos mais promissores para promover a descarbonização da matriz energética brasileira, como para o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões de gases e para impulsionar o volume de negociação de créditos de carbono no país.